Anda à procura de gestão de alojamento local nos Açores? O que eu faço é mais estreito, e é a parte que decide a avaliação: os hóspedes, e quem lhes responde em inglês.
Chamo-me Nick Biggs, sou americano e vivo no Porto. Sou coanfitrião no Airbnb de proprietários pela Europa fora, e nos Açores há uma coincidência a seu favor: o maior mercado estrangeiro da região fala a minha língua.
Quem reserva nos Açores
Em 2024, os Estados Unidos foram o maior mercado estrangeiro dos Açores, com 17,1 % das dormidas de não residentes em alojamento turístico da região, e os três primeiros — Estados Unidos, Alemanha e Espanha — somaram 46,2 %. Os não residentes foram 64,0 % de todas as dormidas do arquipélago, que cresceu 10,0 % nesse ano, mais do que qualquer outra região portuguesa.
Os Açores são, com a Grande Lisboa, a única região portuguesa onde os americanos lideram; o INE não publica quota britânica para a região, por isso não a vai encontrar aqui.
Nota de método: são dormidas em alojamento turístico contadas pelo INE — hotelaria, turismo rural e apenas o alojamento local com dez ou mais camas — e não “hóspedes do Airbnb”. A estatística regional conta-se à parte e apontava para mais de 4,3 milhões de dormidas em 2024, com os Estados Unidos à cabeça dos mercados estrangeiros.
Um dado muda a leitura: nestas ilhas o alojamento local pesa muito mais do que a média do país, com cerca de 42 % das dormidas da região a caberem ao AL, segundo a estatística regional. É ordem de grandeza, não número fechado — mas diz-lhe que, aqui, o hóspede que escreve é desproporcionadamente o seu.
E a época é dura. Os Açores são a região mais sazonal do país do lado estrangeiro: a taxa de sazonalidade dos não residentes foi de 48,7 % em 2024, a mais alta das nove regiões, com os não residentes a valerem 75,5 % das dormidas de julho e apenas 38,6 % das de fevereiro. E como os americanos têm setembro como maior mês do ano, é no ombro que há mais a ganhar.
O que faço — e o que continua a ser seu
Respondo aos seus hóspedes: pedidos de informação, mensagens antes e durante a estadia, resposta a cada avaliação, e a coordenação por mensagem com a sua equipa de limpeza e com quem trata da casa.
Faço-o dentro de uma hora, a qualquer hora do dia ou da noite; de madrugada isso pode ser uma primeira resposta a dizer que já estou a tratar do assunto, com a resposta completa logo pela manhã. Um hóspede americano escreve ao fim da tarde dele, que é de madrugada aqui, e é essa a mensagem que decide a reserva.
Continua a ser seu: o anúncio e o calendário, os preços, os pagamentos, o registo de Alojamento Local segundo o procedimento aplicável na região, o seguro de responsabilidade civil obrigatório, a placa, o livro de reclamações, o boletim de alojamento dos hóspedes estrangeiros, os inquéritos estatísticos e os impostos. A comunicação dos hóspedes estrangeiros à UCFE, pelo SIBA ou em papel, é obrigação da entidade exploradora e eu não lhe toco.
A sua licença, o seu anúncio, o seu dinheiro — a conversa com os hóspedes fica comigo.
As perguntas que se repetem nos Açores
Isto é a minha leitura, não é um estudo: pela geografia e pelo tempo, as perguntas que provavelmente enchem a sua caixa são o que se faz se chover, que nalgum dia da semana vai acontecer; se é preciso alugar carro, o que em São Miguel é praticamente sempre; como se viaja entre ilhas e com que probabilidade de cancelamento; quando é a época das baleias e com quem se reserva; e termas, trilhos fechados e onde comer fora de Ponta Delgada.
A carga distintiva deste mercado é a mensagem de contingência: o plano B para o dia de chuva, o voo entre ilhas que cai. Escrita antes de ser precisa, salva a avaliação.
Porque sou eu a responder
Tenho o meu próprio alojamento de curta duração há cinco anos, com estatuto de Superhost durante quatro deles, 97 avaliações de hóspedes e uma classificação global de 4,9. Mudei-me para Portugal em 2021 e desde então giro-o à distância — sei o que uma família americana quer mesmo saber antes de reservar, e o que custa responder-lhe sem estar no local.
Adicionar-me é o mecanismo normal do Airbnb — o titular acrescenta um coanfitrião ao seu anúncio e mantém o anúncio, o calendário e o pagamento.
Diga-me onde fica a casa e quem a reserva hoje, e digo-lhe se isto lhe serve.