Anda à procura de gestão de alojamento local na Madeira? O que eu faço é mais estreito, e é a parte que decide a avaliação: os hóspedes, e quem lhes responde em inglês.
Chamo-me Nick Biggs, sou americano e vivo no Porto. Sou coanfitrião no Airbnb de proprietários pela Europa fora, e a Madeira tem uma particularidade que muda tudo: não há mês morto.
Quem reserva na Madeira
Em 2024, a Alemanha representou 24,1 % das dormidas de não residentes em alojamento turístico na Madeira, e os três primeiros mercados — Alemanha, Reino Unido e França — somaram 56,0 %, a segunda maior concentração do país. A região é também a mais dependente do estrangeiro: os não residentes foram 85,3 % de todas as dormidas.
O Reino Unido é o segundo mercado da região, à frente da França, e o INE não publica a quota britânica da Madeira, por isso não a vai encontrar aqui. A estatística regional conta-se à parte: a DREM estimou as dormidas britânicas em 2,1 milhões num total regional de 11,7 milhões em 2024. São séries diferentes, e por isso não se misturam.
Nota de método: as dormidas do INE são de alojamento turístico — hotelaria, turismo rural e apenas o AL com dez ou mais camas — e não “hóspedes do Airbnb”.
O que faz da Madeira um caso à parte é o calendário. A taxa de sazonalidade da região foi de 29,5 % em 2024, a mais baixa das nove regiões portuguesas, e a quota de não residentes nas dormidas mensais variou apenas entre 83,3 % e 88,3 % ao longo do ano. Traduzido: não tem uma época alta cheia de mensagens e um inverno calmo, tem doze meses de caixa de entrada em inglês e em alemão.
O alojamento local pesa aqui mais do que no continente: segundo a estatística regional, terá representado cerca de 31,8 % das dormidas da região no terceiro trimestre de 2025. Sobre a oferta não há número oficial fiável, porque a região tem procedimento de registo próprio e fica fora do registo aberto nacional; o sinal disponível é municipal e de imprensa, com o Funchal a apontar cerca de 3 359 estabelecimentos no final de 2025, cerca de 42 % da oferta regional.
O que faço — e o que continua a ser seu
Respondo aos seus hóspedes: pedidos de informação, mensagens antes e durante a estadia, resposta a cada avaliação, e a coordenação por mensagem com a sua equipa de limpeza e com quem trata da casa.
Faço-o dentro de uma hora, a qualquer hora do dia ou da noite; de madrugada isso pode ser uma primeira resposta a dizer que já estou a tratar do assunto, com a resposta completa logo pela manhã. Numa ilha em que os voos atrasam, é a diferença entre um hóspede assustado e um hóspede informado.
Continua a ser seu: o anúncio e o calendário, os preços, os pagamentos, o registo de Alojamento Local segundo o regime aplicável na região, o seguro de responsabilidade civil obrigatório, a placa, o livro de reclamações, o boletim de alojamento dos hóspedes estrangeiros, os inquéritos estatísticos e os impostos. A comunicação dos hóspedes estrangeiros à UCFE, pelo SIBA ou em papel, é obrigação da entidade exploradora e eu não lhe toco.
A sua licença, o seu anúncio, o seu dinheiro — a conversa com os hóspedes fica comigo.
As perguntas que se repetem na Madeira
Isto é a minha leitura, não é um estudo: pela orografia e pelo clima, as perguntas que provavelmente enchem a sua caixa são se é preciso alugar carro e onde se estaciona na casa; se a piscina é aquecida, porque há quem venha em janeiro a contar nadar; que levadas estão abertas e como se chega ao início do percurso; se vai chover no norte enquanto o Funchal está de sol; e o que acontece ao check-in se o voo aterrar tarde.
Todas se respondem uma vez só, se estiverem no guia de pré-chegada — que é o que escrevo, com os factos da sua casa.
Porque sou eu a responder
Tenho o meu próprio alojamento de curta duração há cinco anos, com estatuto de Superhost durante quatro deles, 97 avaliações de hóspedes e uma classificação global de 4,9. Mudei-me para Portugal em 2021 e desde então giro-o à distância — as duas metades: o que um hóspede britânico ou alemão quer mesmo saber, e o que custa responder-lhe sem estar no local.
Adicionar-me é o mecanismo normal do Airbnb: o titular acrescenta um coanfitrião ao anúncio e mantém o anúncio, o calendário e o pagamento.
Diga-me onde fica a casa e quem a reserva hoje, e digo-lhe se isto lhe serve.